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[PORTUGUESE ON] |
Agora é lei cantar o hino toda semana. Os alunos se espremem como pinguins tentando se esquentar. Ninguém fica em posição de sentido. Quando passa o carrasco escolar, tiram as mãos dos bolsos, e quando ele se afasta as recolocam rapidamente para que não congelem. As bandeiras vão se levantando, a do Brasil no centro, enquanto toca o hino nacional. O vento espicha os panos no ar, eu os espio e me sinto melancólica, como sempre. A vida dos nossos bosques está afogada por barragens de hidrelétricas e as flores dos campos risonhos estão torradas. Isso não voltará jamais. Será que o que resta vai aguentar o tranco do progresso malvado? Meu nariz escorre e me distrai.
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Estou me perdendo entre papéis pra aplicação para o visto de estudante. Meu magnânino pai comprou minha passagem e pagou minha estadia no primeiro ano lá, e está me ajudando a brigar com a burocracia, fazer exames médicos e outras coisas que tenho que anotar pra não esquecer que fiz/ tenho que fazer. Estou ansiosa. Sempre acho que algum papel vai se estraviar, que alguém não vai fazer o trabalho como deveria e algo vai sair errado. Meu medo não é não receber aprovação. É que alguma de todas as coisas que precisam chegar à Embaixada Australiana não chegue. Me ocupo fazendo brincos de durepox! Moldo-os com durepox, pinto, prendo um ganchinho e penduro nas orelhas como se fossem as coisas mais lindas do mundo. Aqui ao lado estão alguns deles (clique na imagem para apliá-la): rabinhos de diabo, cobrinhas coral falsa e verdadeira, âncoras, e moréias verdes por fazer. Faz tempo que não desenho... Mas tenho um punhado de idéias que quero executar em breve... ENEM este fim-de-semana! Foda-se! Um abraço.
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Chove, formam-se corredeiras no meio-fio, lagos nas passarelas, cascatas nos escoamentos. Afogam-se os ratos e as latas de refrigerante. Tenho vontade de caminhar, apenas. Caminhar indefinidamente. Tolkien escreveu que "nem todos os que vagueiam estão perdidos". Será meu lema? Quando a chuva para, o vento volta, e me faz sentir-me viva.
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Falamos sobre a nação com as caras mais sérias do mundo. Tu acha que só há uma direção possível: para frente. Eu acho que mataremos a terra e nos implodiremos. Gosto quando tu deita a cabeça no osso do meu quadril. Não concordamos em nada. Suponho que isso torne a conversa excelente, e mexa o cérebro ao fim do dia. Quanto mais discutimos sem convencer um ao outro, mais nos gostamos. Chove, chacoalho no ônibus, lendo "Vidas Secas", do Graciliano Ramos, e pingando gostículas do meu impermeável. Desço no terminal, compro o melhor churros da Região Metropolitana de Porto Alegre (R$ 1,25, só em Esteio mesmo). Vou devorando-o e ao livro no trem, perdendo a conta das estações. Que seremos nós, no depois? Imagino-o um revolucionário. Pelo menos não escreveremos para o nada, teremos um ao outro para ler poemas e delírios.
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Fui aprovada no Southbank Institute of Technology. Agora preciso começar a juntar documentos pra me aplicar para o visto de estudante na Austrália. Estou muito feliz, mas a ansiedade de antes ficou pior, ao invés de ir embora. Uma alegria na nuca. E parece que meu coração recuou alguns centímetros, se escondendo no fundo das minhas costas. É uma sensação de quase pânico. Não é ruim, nem boa. Está, apenas. Gosto de fazer arranjos com orquídeas e bromélias, daquelas de árvore, em ramos soltos. Apoio eles no peitoril da janela, borrifo água de vez em quando por pura teimosia. O nome das ligações carbônicas que as formam não me parece importante, apesar de eu ter prova de química orgânica amanhã.
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Primeiro dia de sol em muito tempo. Aproveito pra esticar as canelas brancas no degrau da porta, tentando sintetizar uma vitamina D... Não reclamo da chuva, eventualmente tem que chover. Há umas semana, cuidando das minha bromélias no canto do quintal escondido pela casa, notei uma pilha de azulejos atirados, aguardando o fim do mundo. Peguei alguns e imaginei coisas, e fui logo lavá-los e pintar neles. Eu sei, eu deveria usar tinta de cerâmica ou tinta óleo, mas é a tinta acrílica, nem um pouco duradoura, que está na mão. Pintei umas flores pra experimentar, e gostei bastante. Fica uma textura bem bacana, porque o azuejo obviamente não absorve tinta. As rachaduras na parte branca de cima deles formam um fundo interessante, também. Estou experimentando, com os pincéis esgualepados, coisas mais impressionistas, focando mais nas cores que nos detalhes. Me divirto...
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A mídia faz o amor parecer ou uma prisão de barras de açúcar ou algo anal e banal. As pessoas ficam tentando classificar o que é e o que não é amor, e julgando umas às outras. Inevitável, é quase natural. Me pergunto se é uma questão cultural. Uns dias acordo com uma ânsia que é quase um desespero. Outros acordo fria, ou com uma ternura branda que faz sorrir de leve. São um punhado de coisas sem nome. Eu preciso dizer que te amo.
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Um livro com pequenas crônicas passadas nos tempos da ditadura, em diversos países da América Latina. O João Gustavo que me emprestou. Eduardo Galeano é um puta escritor, uruguaio. Eu posso dizer que qualquer coisa que ele conta, nas sua palavras fica pitoresco e meio mágico (mas isso soa como uma merda de crítica literária ou orelha escrita por 50 centavos). Só lendo pra saber. Dá licença, aqui vai um trechinho do livro, que gostei muito: "O Sistema
Outros livros do cara que eu curti muito:
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Escuro. Os paralelepípedos molhados refletem toda e qualquer luz em faixas quebradas. Luz negra em portas de butecos bagaceiros. Até a cidade escrota e suja parece bonita e misteriosa. As nuvens no céu se pintam de laranja, refletindo as luzes urbanas. Sons de sapos, cães e carros. Passa um carro velho rebaixado tocando funk, com adesivos prateados com o nome de Cristo. Imagino que não tenham dinheiro suficiente pra passar ali na BR116, onde as putas de todas as cores e tamanhos já começaram o expediente. Dou meia-volta ao chegar na esquina, quando esbarro num grupo de cavalos soltos bloqueando a rua. Cavalos não são mau-humorados, mas sabe-se lá. Entro na minha rua e passo na frente da casa do prefeito, com seu muro, sua guarita e seus carros de segurança. Faz pouco tempo que ele se mudou, e imediatamente trocou as lâmpadas das quadras em derredor.Pra não ficar chato, quando as pessoas começaram a falar, trocou as da rua inteira. Passando do lado dum terreno baldio ali adiante, me pergunto: se alguém saior do mato e me atacar, será que o segurança do prefeito vai vir me proteger...? Noite bizonha no subúrbio...
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Chove, e não tem jeito de que vá parar. As plantas gostam. Chuva e vento sacodem as flores dos ipês, que caem no chão cobrindo a calçada de um tapete de pétalas vibrantes. Perfeito pra escorregar e quebrar a costas, mas é lindo demais. Cheiro de terra molhada. Guarda-chuvas quebrados atirados no meio da rua. O meu se estrebucha, mas eu ponho ele numa lata-de-lixo, e me conformo com a água. Cuido pra não molhar as páginas enquanto devoro um livro, num banco que eu molho no trem. Dentro de casa é escuro e silencioso, há o som do vento e das gotas na janela, entrando com uma luz branca. Tu fica fugindo do meu cabelo molhado. Chove, e faz frio. Me cerco de amor, livros e tintas.
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11 de Setembro não tem nada pra dizer que já não tenha sido dito. Vou só recomendar um documentário foda pra vocês: "102 Minutos que Mudaram o Mundo" (assista o trailer aqui). Passou esses dias no History Channel... Ele é feito todo com filmagens amadoram de gente que estava por perto, então mostra as reações das pessoas nas ruas, nos prédias próximos. Tem cenas bem impressionantes.
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É, não falei nada nem da Independência do Brasil, nem do 11 de Setembro. Independência do Brasil, pra quem tem um certo patriotismo, é um feriado melancólico. O hino (adoro nosso hino, ele é bonito, mas hoje em dia é meio humor-negro), a bandeira com aquela frase no meio. Vontade de mudar as coisas... Mas ela só dura enquanto dura a ilusão de que a culpa é do governo. O povo elege os políticos, e não faz com que se retirem quando eles roubam e flagelam o país. Mas como haveria o povo de derrubar os ladrões, se não se informa de nada, nem sabe o que se passa na nação. Isso bem pode ser culpa da educação do país, que é uma bosta. Mas também pode ser culpa da preguiça, mesmo. Pra que se informar, pra que reagir, está tudo bom como está... "Era uma vez uma manifestação para salvar um bosque, no Brasil.
obs.: Tem muita gente por aí que não sabe do que se trata o 7 de Setembro. Vou dar uma dica: nada a ver com Cabral.
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Sou eterna leitora de transporte coletivo. Quando pego um ônibus ou trem determinado pela primeira vez, gasto o tempo olhando através da janela, observando a "paisagem", por mais feia que seja (visualmente, poucas coisas me desinteressam). Porém após pegar um mesmo ônibus/ trem dezenas de vezes, me canso. Pra visitar meu namorado, gasto em torno de uma hora. Pego o trem, desço, pego a lotação... Sem falar do tempo gasto esperando a chegada de ambos. Antes eu ía de mãos vazias. Daí um dia me dei conta, que merda, uma hora da minha vida inutilizada, sentada, vegetativa. Uma hora para ir, outra pra voltar. Passei a levar livro. A hora e as páginas voam, não me impaciento nem canso das esperas. Um primeiro passo pra aproveitar melhor meu tempo e, conseqüentemente, minha vida.
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Bom, 6/9, Dia do Sexo por motivos óbvios! Alegria, gente, afinal sexo é muito bom. Se tu acredita que sexo só te leva direto pro senhor Satã, problema é teu, não sabe o que tá perdendo. Por que sexo haveria de ser um pecado? Não machuca ninguém, é um bom exercício, deixa as pessoas de bom-humor e boa-vontade para com o mundo que as cerca. E por que haveria de ser um assunto constrangedor, fazer sexo é como plantar árvores ou passear no parque com alguém que a gente gosta. É uma cultivação de amor por outra pessoa ou apenas por si mesmo. Nosso corpo não é a prisão da nossa alma, é uma extensão dela, e a única forma que temos de interagir com o exterior e com as outras pessoas. Só não esqueçam o curso da Mãe Natureza, êxtase não é espermicida, nem barreira contra DSTs malvadas. Cuidem-se, e felicidade para todos. :)
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