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[PORTUGUESE ON]


12.09.2009 - Sábado { 23:49; Sofá.

Ah não é nem meia-noite, eu achei que já estava na alta madrugada. Estou só, com Jethro Tull e baratas. Quando a música pára, parece que meus ouvidos ficam sensíveis, e ouço cada minúsculo ruído na casa. Roamrum, schlát, klit. Boa hora para criar coisas.

Bem o ano está agonizando, por assim dizer. O que é apenas um conceito, não é como se o ano passasse e ficasse ali em algum lugar, guardado. Assim como 2010 não está em alguma cova esperando sua deixa. É estranho como imaginamos o passado e o futuro. Afinal, o momento de agora é só um instante entre dois nadas.

O passado não existe, só lembranças de momentos que já passaram. Então, se só o que existe é a memória, não há como a memória estar errada. Não? Estou começando a viajar?

Eu vou pintar O Senhor das Moscas, no verso de uma embalagem de meia-calça.


17.11.2009 - Terça-feira { 15:23; Sonho.

Eu era um rapaz alto e magro, meus olhos eram azuis e o cabelo castanho. E eu estava numa estação de trem velha e abandonada, era o meio da tarde de um dia ensolarado. Nuvens brancas se desenrolavam sobre uma vista de mata densa e casas encarrapitadas umas sobre as outras, destruição. Estava em tempos de guerra. Ouvi o som de aviões, depois os vi, voando baixo, uma esquadrilha de aviões compridos e cinzentos. Tinham caminhões pendurados neles, então pensei "que bom, não é um bombardeio, estão apenas carregando coisas".

Então, no último avião, uma portinha se abriu, e o caminhão foi incendiado. E foi largado no chão. Quando ele caiu, houve uma mega explosão, lançando rochas imensas para todos os lados. Olhei para uma casinha sobre uma outra. Tinha um telhado vermelho e muitas coisas penduradas. Lá estava minha família. As rochas passavam por ela, nenhuma a atingia, e eu ficava torcendo, impotente, torcendo e torcendo.

Um pedregulho imenso se chocou com a casinha, e derrubou ela no chão. Eu gritei porque era impossível que alguém tivesse sobrevivido.

Corri, corri muito, precisava buscar minhas irmãzinha na creche. Lá, ninguém parecia notar que algo errado estivesse acontecendo. Estavam fazendo aquelas "tatuagens" que se cola com água nas crianças. Eu peguei ela no colo, havia uma borboleta rosa no seu braço, e o chão era de areia. Levei ela dali.

Eu era a mesma pessoa, na mesma estação. Mas o dia era nublado,e tudo era cinzendo. E havia uma mulher, vestida toda de negro, com o cabelo loiro quase branco. Não havia mais mato, só prédios em pedaços, e as bombas caíam. Ela estava olhando a cidade. Me escondi com ela em baixo de uma mesinha de plástico, dessas de buteco. E a gente ria não lembro do que.

E tudo tinha gosto de epitáfio, de desgraça iminente.

Me pergunto da onde vem nossos sonhos...


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