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[PORTUGUESE ON] |
Bom, como eu comentei, nós aqui ganhamos uma semana de férias de Páscoa. Sim, aqui todo mundo é vagabundo mesmo, eles tem até "Segunda-feira de Páscoa", que as pessoas não abrem as lojas depois do Domingo de Páscoa. Daí fui passar uns dias em Hervey Bay, uma cidade ali no norte onde tem pontos de mergulho e fica na frente da Fraser Island (a maior ilha de areia do mundo). Os planos eram: chegar Segunda-feira de noite, mergulhar Terça-feira de manhã, vagabundear Quarta-feira, e fazer um tour guiado na Fraser Island Quinta-feira. E disso tudo só o que eu cumpri foi: ir e vagabundear. Cheguei lá no hotel perto da praia na Segunda, depois de 6 horas de viagem de ônibus. Me enfurnei lá, durmi. Terça acordei as 6 e meia da manhã pra arrumar minhas coisas e ir pro porto lá na puta que pariu pra fazer o mergulho com a operadora... Chegue lá e fiquei sentada esperando. Liguei pra operadora e me atendeu um guri com um ar de sono, e ficou me enrolando e me enrolando e depois de uns 10 minutos me disse que não ía ter mergulho por causa do tempo e a visibilidade que estavam uma droga. Aí eu tive uma briga enfurecida sobre o porque ele não tinha me ligado pra avisar. Aí eu perguntei se dava pra fazer no dia seguinte... "Ah, mas a visibilidade não vaaaai melhorar, não." Aí mais tarde ele me ligou dizendo que íam mergulhar de tarde... E por aí foi, não preciso descrever o quanto eu ralhei com ele ao longo do dia... E não fui mergulhar nada ): No dia seguinte fui pra praia... Fiquei totalmente babaca quando cheguei lá. A cidade é separada da praia por uma faixa preservada de mato... Aí quando a gente atravessa ela e chega na praia, parece que a gente foi parar em outro lugar... É lindo demais, o mar de manhã parece uma lagoa, não tem uma onda sequer. E a água é transparente e morna. Daí quando a maré baixa aparecem milhões de conchinhas e pedaços de coral, e a gente esbarra em montes de carangueijinhos (ou serão siris?) minúsculos, correndo pela praia para suas toquinhas... Caminhei até quase me tostar no sol. De tarde voltei pra praia e fui nadar. Fiquei me rolando e boiando nas ondas, me ralando na areia e rindo sozinha, bem criança mesmo. Aí quando eu voltei pra casa. Estava pra sair pra jantar e... tchãn. Sumiu minha carteira. Com o cartão de crédito. E minha Student ID, e minha certificação de mergulho, e meu cartão da academia, e meu cartão do banco, e enfim. Histeria. Virei a casa do avesso. Andei por tudo. Sumiu. Ah meus pais vão me matar... E eu tinha torrado todo o crédito do celular falando com o guri da operadora de mergulho, e ninguém sabia como que fazia ligação internacional a cobrar, e já tava tudo fechado porque era tarde da noite, etc, etc. Daí no outro dia não pude fazer o tour, porque obviamente não tinha como pagar xD
No dia seguinte quando peguei o ônibus de volta, lá pelas 6 da manhã, a gente passou pela praia e deu pra ver o sol nascendo no mar. A viagem tava bem legal, vi muitas florestas e praias bonitas... Pois é, reclamei tanto mas no fim valeu totalmente à pena ter ido, eu aproveitei muito o tempo que passei lá :)
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Tá aí a Páscoa, a Paixão de Cristo, o Dia do Jesus Zumbi, caralho como o tempo urge. Estou há mais de 2 meses na Austrália, e nem tenho o que comentar, de tão certo que está dando tudo. E aqui está esta sexta-feira sem churrascos, de encher os cornos do sangue do Senhor...De fingir que não se trata de uma desculpa para cumprir todos os pecados capitais num único fim-de-semana. Mas e ah quem sou eu pra falar de pecados...
Estou assim com uma saudade profunda que nem o meu Roquenrou cura. Estourando plástico-bolha no meu quarto e ouvindo músicas de antes deu nascer, como se isso pudesse me levar a qualquer estado de transe revelador. Rabisco coisas abstratas pelos papéis acumulados na mesa. Acho melhor ir dormir.
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Pois hoje... Hoje fui me enfurnar no cemitério. Eu não sei porque gosto de cemitérios. Não é nenhum impulso mórbido, nem a minha tendência a apreciar coisas desagradáveis. Mas eu adoro cemitérios, adoro caminhar entre os túmulos, olhar as datas e os nomes, que eu esqueço em poucos segundos. Gosto de sentar e estar só, e olhar aquelas tumbas todas até onde a vista alcança, como uma cidadezinha. Não caio em filosofias fatalistas, em verdade não penso em nada específico quando vou num cemitério... As vezes me pergunto quem foram aquelas pessoas todas, se foram boas como dizem as inscrições ou se foram o contrário. Hoje caminhei bastante no cemitério aqui de Brisbane, estava um dia propício, nublado e cheio de ventos uivantes. Nas margens do lugar havia túmulos meio abandonados, quebrados e com galhos de árvores caídos sobre eles... Um me chamou muito a atenção, era uma lápide com uma estatueta de anjo em cima, mas ela estava quebrada. Estavam ali só os pés do anjo e a almofada onde ele estava ajoelhado, e dentro disso estava caída uma asa quebrada. Admito que, assim, aquele vento e aquela solidão e aquelas tumbas todas me inspiraram uma sensação estranha, que não era nem medo nem vontade de correr nua. Então fui embora pra comer sorvete de menta.
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Hoje novamente me auto-sabotei e não cumpri meu plano de ficar em casa dormindo pra curar essas olheiras que me dão esse ar de zumbi... Estava a tarde com uma cara de chuva. Enchi a garrafa térmica de água quente e a cuia de mate, comi uns biscoitos e fui-me ao mato. Subindo a rua aqui perto a gente chega num baita parque, mato mesmo, cheio de trilhas pra fazer e bichos escondidos. Sempre quando desço a lomba aqui para a casa eu vejo aquele monte de árvores... Decidi ir lá explorar hoje. A dúvida a respeito de ser seguro ou não ir sozinha é eliminada pelo fato de que eu não tenho quem chamar pra ir comigo. Fiz uma trilha que cruzava o parque, tinha mais ou menos uns 2km, bem bacana. Não se ouvia nada além dos cantos dos pássaros e das cigarras. Ouvi muito também a barulheira das kokaburras (pássaros nativos, os maiores martin - pescadores do mundo; arrisco descrever o canto como gritos de macacos muito mais afinados). Cheguei a ver uma, bem pertinho, pousada do lado da trilha, o que me fez assaz faceira. Também vi muitas borboletas diferentes e lorikeets (periquitos coloridos daqui). Nenhum assassino de mochileiros, e esbarrei em apenas duas pessoas. Nenhum eucalipto me caiu na cabeça, nenhum koala me comeu o cérebro. Por tudo havia esses arbustinhos espinhentos com essas florzinhas amarelas (bonitinhas, pode-se deduzir pelos meus diminutivos). De vez em quando eu sentava num tronco pra descansar e tomar chimarrão, minha bexiga de gaúcha não me decepcionou. Uma tarde muito agradável. Talvez hoje eu realmente durma cedo. |
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